Reta do Improviso
Reta do Improviso nasce da observação dos bastidores da televisão brasileira e de uma inquietação que estrutura toda a obra: como criar um espaço em que artistas possam protagonizar suas próprias histórias, sem personagens pré-construídos e sem roteiro rígido?
Os primeiros estudos do projeto foram realizados no Rio de Janeiro, reunindo artistas vindos de diferentes estados — Brasília, Belo Horizonte, Rio Grande do Sul, entre outros. Naquele momento, o objetivo central era abrir um campo de liberdade e expressão: um exercício em que cada artista pudesse improvisar a partir de si, revelando camadas de memória, presença e singularidade. Desde o início, existia também um desejo de horizonte: a possibilidade de reunir muitas dessas histórias — um Brasil diverso — em uma plataforma viva, construída a partir do gesto e da experiência de cada um.
Com o amadurecimento do método, surge a virada que dá à obra sua dimensão atual: e se esse improviso acontecesse no território do próprio artista? E se os objetos escolhidos fossem não apenas pessoais, mas ligados à sua memória cultural, ao lugar de onde veio, aos símbolos do seu mundo?
A partir daí, a Reta do Improviso se estrutura como formato documental autoral e dispositivo de investigação cultural: o território deixa de ser cenário e passa a ser presença ativa — ruas, arquiteturas, sons, sotaques, fluxos cotidianos e vozes locais entram como camadas fundamentais da narrativa. O improviso torna-se um campo de revelação do que ainda não foi totalmente dito ou pensado: marcas de pertencimento inscritas no corpo, no ritmo, na maneira de estar no mundo.
Hoje, Reta do Improviso consolida-se como série documental em desenvolvimento, guiada por uma pergunta central: é possível reconhecer traços de um território no corpo que improvisa?
